Nem fomos ao mar para ver o nosso amor morrer na praia. Nosso amor morreu engarrafado, na correria do povo para deixar São Paulo, babilônicos corações de fumaça a 10 km por hora. Nosso amor largou o automóvel e saiu caminhando, melancólico, entre motoboys e miragens, crepúsculo cubatanesco a escorrer do nariz.
Stop, parou o nosso amor ou é apenas um sinal fechado? ..
...Nosso amor só pode estar tirando onda da nossa cara, é o tipo do amor que sabe rir da nossa desgraça, um amor de rapariga da última luz vermelha do fim do mundo, um amor da porra, que não respeita as leis do cosmo, nosso amor é uma ficção barata, café puro, pão na chapa, nosso amor nem esfriou ainda o cadáver, acabou no auge, como a carreira de Pelé, como os Beatles, nosso amor era sábio. E como os amores reencarnam, muito cuidado, senhoras e senhores, nosso amor pode estar rondando ai a sua área. Prendam o criminoso, onde está a polícia que não vê uma coisa dessas, tio Nelson?
*Texto do querido Xico Sá! Aqui Ô!
FOto:Rodoviária Tiête (12/09)
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